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Presidente eleita do Sindienergia-RS defende diversificação das fontes energéticas no Estado

Presidente eleita do Sindienergia-RS defende diversificação das fontes energéticas no Estado

Daniela Cardeal assume comando da entidade em janeiro de 2024

TÂNIA MEINERZ/JC
Jefferson Klein

Recentemente eleita como presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal substituirá no cargo o atual mandatário, Guilherme Sari, a partir de 5 de janeiro para exercer o comando da entidade entre 2024 e 2027. Entre as pautas que a dirigente irá apoiar está a diversificação do uso de fontes de energia no Estado. Além disso, Daniela pretende promover uma maior participação dos municípios na área energética e superar algumas restrições que ainda são apresentadas quanto à geração eólica near shore (em lagoas).


Jornal do Comércio (JC) – Quais serão suas metas na presidência do Sindienergia-RS?
Daniela Cardeal – Além de continuar o trabalho que foi muito bem-feito nessas últimas duas gestões, muitos nomes inclusive se repetem agora para a gestão 2024-2027, a gente quer investir na atração de indústrias ligadas à geração, transmissão, distribuição e armazenamento de energia. Isso com foco na indústria que esteja primando pela descarbonização. O segundo ponto é que queremos fomentar outras fontes, porque nessas últimas gestões a gente fomentou muito a eólica e a solar. Para essa próxima gestão, estaremos muito voltados para as bioenergias e para as hídricas.


JC – As bioenergias em questão dizem respeito a que atividades?
Daniela – Biogás, biometano (biogás purificado que pode ser utilizado como substituto do gás natural veicular – GNV) e biomassa (queima de matéria orgânica para produção de eletricidade). Estamos vendo as bioenergias como uma alternativa não só para a geração de energia, mas para a redução de resíduos (podem ser aproveitados como matéria-prima dejetos de animais, casca de arroz, entre outros). Também o hidrogênio verde, que não é uma bioenergia, mas vamos acompanhar, está trazendo alguns desdobramentos novos, que extrapolam a geração de energia, como a possibilidade da produção de fertilizantes.


JC – Na sua opinião, alguma das fontes renováveis terá um destaque maior nos próximos anos no Rio Grande do Sul?
Daniela – Vamos ter a eólica como destaque, pois nós temos projetos represados, em função de conexões (linhas de transmissão) que estavam sendo aguardadas. Então, temos represados 14 mil MW em eólica (mais do que três vezes a demanda média de energia do Estado). Querendo ou não, os empreendimentos saindo vão ter destaque. É um potencial que estava aguardando sua vez, mas as bioenergias estão vindo como uma alternativa que não estava sendo tão levantada, como a solar, por exemplo.


JC – Neste ano, a Portos RS (empresa pública responsável por administrar o sistema hidroportuário gaúcho) formalizou a sua associação ao Sindienergia-RS. Há a possibilidade de que mais instituições, não diretamente ligadas à produção de energia, porém que de alguma forma têm relação com esse setor, possam ingressar no sindicato?
Daniela – A gente viu a necessidade de termos pares de outras entidades, porque quando falamos de energia e descarbonização precisamos falar de modais alternativos de transporte. Então, entram várias outras entidades. Um outro parceiro que conversamos muito é o Sinduscon-RS (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul), pois estamos tratando de modelos inovadores de construção. Também nos aproximamos da Abiogás (Associação Brasileira do Biogás) e do Sindibio-RS (Sindicato da Indústria de Biodiesel e Biocombustíveis do Rio Grande do Sul).


JC – No que consiste a iniciativa do Sindienergia-RS chamada de municípios renováveis?
Daniela – É um programa de aproximação com os municípios para podermos apresentar todos os potenciais que têm naquela região. O objetivo é também engajar as comunidades para elas poderem fazer os seus questionamentos e nós apresentarmos quem são os players que estão no setor, quem é que acaba formando essa cadeia e levar as federações, não só a da indústria, mas a da agricultura, que têm papéis importantes para a população local. Deixar todo mundo na mesma página. Para 2024, estamos pensando em fazer um grande lançamento desse evento em Porto Alegre e vamos replicar no Interior.


JC – O Estado tem um vasto potencial para a geração eólica near shore (em lagoas). Contudo, em audiências que discutiram a instalação de aerogeradores na Lagoa dos Patos houve algumas críticas à proposta por parte de representantes de pescadores e outros públicos. É possível encontrar um ponto de conciliação?
Daniela – Eu acho que temos resistência quando não temos conhecimento de algo, para tudo na vida. Então trazer clareza e a gente escutar as dúvidas, lado a lado, é o primeiro ponto. Para isso, a gente conversou com a Sema (Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado do Rio Grande do Sul) e a Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) e vamos fazer um programa de discussões com as comunidades para realizar, em um primeiro estágio, uma espécie de pesquisa de satisfação da eólica onshore (em terra). Como está o nível de aceitação, quais são as dúvidas, quais são os prejuízos, onde pode melhorar. Depois do resultado da onshore, vamos levar o caso da near shore e trazer as informações para os residentes locais, principalmente a população pesqueira e academia, que são os maiores questionadores.


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